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Drika Nery
São Paulo, Brazil
Sou muitas tantas outras várias pessoas que num compasso estereofônico se multiplicam dando voltas em si
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Jardim Inverso

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Três peças curtas com personagens em situações inesperadas: uma prostituta religiosa conversa com um cliente; dois seguranças discutem se devem matar o assassino do patrão; um casal em viagem recebe a notícia da morte de alguém próximo.

Texto: Luis Eduardo, Drika Nery e Denio Maués
Direção: Paulo Faria
Elenco: Daniel Morozetti, Lorenna Mesquita e Marcos Gomes


Local: Cabaré do teatro N.Ex.T - rua Rego Freitas, 454, Vila Buarque
(pertinho da Roosevelt) tel 3259-9636

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Quartas e quintas às 20h


E
STRÉIA 25 DE NOVEMBRO
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Produção
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______________ Ilustração de Vagner Muniz

domingo, 25 de outubro de 2009

O peixe sonha com mariposas no jardim


_________________________________ Foto de Hermano Silva


O blog entrou em férias e esqueceu até de me avisar! Até dia 10 de dezembro vai dormir... Só vai abrir o olho vez em quando pra mostrar pra vocês o flyer e as informações do espetáculo “Jardim Inverso”, que estréia dia 25 de novembro no N.Ex.T.. A montagem traz três peças curtas de três autores diferentes (um deles sou eu!) e é dirigida pelo Paulo Faria.
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Oficialmente o peixe volta dia 10/12, mas passo aqui pra convidar a todos pra assistir Jardim Inverso!
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Enquanto isso, “Mariposas não sobrevoam lâmpadas halógenas” escrita e dirigida pelo Marcos Gomes e pela Paula Chagas continua em cartaz no N.Ex.T. “Mariposas...” é a primeira peça do projeto Dramaturgia Contemporânea no N.Ex.T, “Jardim Inverso” vai ser a segunda.
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Mariposas não sobrevoam lâmpadas halógenas
Texto e direção: Marcos Gomes e Paula Chagas Autran
Elenco: Silvia Faro e Marcos Gomes
Local:
N.Ex.T. – r. Rego Freitas, 454, República. Fone: 32599636
Quarta e quinta 21h. Até 19/11
Ingressos:R$ 20

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Grande beijo e até a colheita... no N.Ex.T dia 25/11 ou na volta das funções do aquário dia 10/12.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Extra! Mariposas invadem o N.Ex.T


Mariposas não sobrevoam lâmpadas halógenas”, é a nova peça de Marcos Gomes e Paula Chagas Autran, que estréia dia 14 de outubro (próxima quarta), às 21 horas, no N.Ex.T. - Núcleo Experimental de Teatro. A temporada segue todas as quartas e quintas até 19 de novembro.
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A história da peça começa com uma estranha ligação a uma central de atendimento. A partir disso, um homem e uma mulher descobrem os crimes que cometeram.

O elenco é composto pela Silvinha Faro, do Centro de Dramaturgia Contemporânea e pelo próprio Marcos Gomes, da Cia dos Dramaturgos.

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Mariposas não sobrevoam lâmpadas halógenas faz parte do projeto Dramaturgia contemporânea no Next, que nasceu de uma parceria entre a Cia dos Dramaturgos e o Centro de Dramaturgia Contemporânea (CDC). Esse projeto vai ocupar os palcos do Next por alguns meses ainda. Dia 25 de novembro estréia uma peça do CDC com um texto meu (são três peças curtas formando um espetáculo) e dirigida pelo Paulo Faria... Mas isso é outra história, depois conto mais detalhes aqui. O que interessa agora são as Mariposas!
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Serviço:

Mariposas não sobrevoam lâmpadas halógenas
Texto e direção: Marcos Gomes e Paula Chagas Autran
Elenco: Silvia Faro e Marcos Gomes
Local: N.Ex.T. – r. Rego Freitas, 454, República. Fone: 32599636
Quarta e quinta 21h. Até 19/11
Ingressos:R$ 20

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Beatriz

____________________________ Ilustração de Vítor Mizael
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Amo o amor mas nunca amei ninguém. Deve ter a ver com a descrença que tenho em Deus. Quando você foi embora quase acreditei na minha tristeza. O que, decerto, tem a ver com meu talento pro teatro.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O espetáculo do hermetismo

----------------------------- ___________ Foto de Hermano Silva
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Ensaiou tanto pra fazer o convite que o pedido parecia uma estréia.

- E então?

- O quê?

- Não vai dizer nada?

- Sobre o quê?

- Sobre tudo que eu acabei de falar...

- Ah! Bonito.

- Só?

- Era pra ser mais?

- ...

- ...

- Não, era pra ser o que foi...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O dia em que Fellini visitou Saramandaia

----------------------- _________________ Foto de Lina Lopes


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Nina dorme agora. Os olhos sucumbiram à inanição da vontade de viver. Antes ávidos por botar a boca no mundo e experimentar seus sabores. De criança gordinha a adulta obesa. Sua mãe cuidadosamente ministrava doces e sonhos, muitos. Todos de dar água na boca e deixar menininhas com os olhos brilhando. E ensinou que não era necessário se preocupar. Quando chegasse a hora um homem se preocuparia por ela. Mas a condição para isso era uma única preocupação: encontrar esse homem. Como boa aluna, aprendeu a sonhar com primor e a esquadrinhar o mundo em busca de seu príncipe. Sonhava, então, carregar o título de princesa. Só conseguiu arrastar o de obesa mórbida.
Quando eu era pequena tinha medo de ficar perto dela. Achava que ela ia explodir. Minha sabedoria vinha de uma larga experiência com balões de aniversário. E eu simplesmente não entendia como as pessoas não compreendiam a clareza da minha lógica.
Nina não explodiu. O tempo correu e ela ficou parada. As pessoas só passavam por ela, nunca ficavam. Como se sua carne ocupasse todos os espaços em seu entorno. Daí sua mania de monólogos. Nina ficava horas falando sozinha no quintal. Teve exatos três filhos e um amante do qual nunca nem vi a cara. Ela mesma o viu poucas vezes.
Mas hoje é diferente, todos estão lá para ver o sono de Nina. Mórbida agora, é a curiosidade em vê-la no caixão.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Hiato


----------------------------------------- Ilustração de Alberto Vázquez

--------- perdi

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------------ como se tivesse tido

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

756/S - Circular

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---- CANSADA DE
----------------------pRonta para continuar
----------------------- E
----------------------- C
----------------------- O

----------------------- M
----------------------- E
----------------------- Ç
----------------------- A
-------------------- paRadoxo em movi

---------------------------------------------- mento

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Adeus Adoniran

_________________________________ Ilustração de Lola Lorente
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Decidida a não ser mais pandeiro na mão dele, fechou a mala, abriu a porta, caiu na estrada. Finalmente descobrira o jazz.

sábado, 22 de agosto de 2009

Ops!

Em meio a uma semana maluca, fiquei devendo um ‘postzinho de quinta’... Foi mau! Fica pra semana que vem.
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Pra hoje, sabadão gelado, fica a dica:
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Sobre a vida, a morte e alguns trocados", de Luís Eduardo, será a peça encenada, neste sábado, dia 22, dentro do projeto virtual Teatro para Alguém. Às 21 horas você pode assistir ao vivo na internet.
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Texto: Luis Eduardo
Direção: Marcos Gomes
Elenco: Silvia Faro e Marcos Gomes
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Esse texto do Luis participou da mostra Cenas Contemporâneas II em dezembro de 2008. E Luís Eduardo é apenas um dos 'luises' do grupo... Fomos premiados com dois.
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Ah! E o referido grupo é o Centro de dramaturgia contemporânea (CDC), do qual faço parte.
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Teatro para Alguém é uma sala de teatro virtual criada pela atriz Renata Jesion e pelo fotógrafo e cenógrafo Nelson Kao.
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Pra conferir a peça clique no logo e lembre-se de que mesmo que você perca a estréia, pode ver as encenações a qualquer momento pela Internet:



---------------------------www.teatroparaalguem.com.br

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Pra saber mais sobre o Centro de dramaturgia contemporânea clique no logo que meu amigo Vagnão fez pra gente:
----------------www.centrodedramaturgiacontemporanea.blogspot.com

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Blefe

________________________________ Foto de Hermano Silva

Mesmo com vista para as flores, fui seduzida pelo cheiro pálido do concreto escada abaixo. Ali, um mundo em suspenso me esperava. Num canto, dois aventais pendurados conversavam desabitados. Um prédio com largos corredores silenciosos me convidou a entrar. No térreo, uma mesa com copos vazios que faziam companhia pro papel esquecido ao lado da lata de lixo. Manequins no primeiro andar tumultuavam uma sala com paredes de vidro. Muita gente de plástico nua vigiando o vazio na escuridão. A cada andar encontrava o humano em vestígios. Até chegar ao mais alto. Pela janela vi alguém. Longe, muito mais do que a real distância que nos separava. Imerso em seu balé líquido e silencioso. Só o som das braçadas. Fechei os olhos e vi azulejos azuis. Senti a água tocando minha pele. Mas o som de passos me trouxe de volta. Abri os olhos e pelo reflexo do vidro vi uma mulher. Me virei e no meu mundo concreto o silêncio acabou com um grito.
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Exercício proposto por Marici Salomão

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Duetos

Personagens:
Betão: 30 anos, de terno preto. Traz a arma na cintura.
Elias: 30 anos, de terno preto e arma em punho.

Num apartamento.

Os dois entram. Betão parece tranqüilo e Elias chega apressado e apreensivo. Betão vai até o sofá, tira o terno e senta-se. Enquanto isso, Elias tranca a porta e vai verificar se as janelas estão fechadas. Ele volta e espia pelo olho mágico da porta.


Betão – O que é que tu tá fazendo?

Elias – Me certificando de que não tem ninguém atrás da gente.

Betão – Ô, trouxa, a gente matou o cara. Como é que ele vai vir atrás da gente?

Elias – Ah, Betão, nunca se sabe.

Betão – Um matador com medo de fantasma?

Elias guarda a arma na cintura.

Elias – Que matador! A gente é segurança.

Betão – E o que é que tu acabou de fazer? E no sábado, aquilo foi o quê? Acorda, mané!

Elias
– Eu... é verdade. Fui eu que tive que desenrolar essas paradas no final das contas.

Betão – Hei, o que é que tu tá falando? Eu tava lá também.

Elias
– É, mas quem puxou o gatilho fui eu.

Betão – E daí? Vai ficar contando defunto agora, ou o problema é bala?

Elias – Você fica aí dando uma de valentão, mas na hora de puxar o gatilho sempre sobra pra mim.

Betão – Vou te contar, mas como tu é furreca, hein?

Elias – Que furreca! É verdade.

Betão
– Por essas e outras, várias, é que eu me arrependo de trabalhar contigo, brother. Acho que fiquei noiado depois que Deus me levou o Vado e aí te escolhi sem querer.

Elias – Deus? Que Deus, Betão? O cara tinha pra mais de trinta mortes nas costas!

Betão – Mas era o melhor cara que eu já esbarrei. Fora que ele não acreditava em Deus... Então, de certa forma, não deixa de ser um castigo encontrar com ele.

Elias – Ele deve é ter sido recebido pelo diabo com um abraço apertado.

Betão – Que diabo, mané diabo! Tá maluco? Tu não tem nada que falar dele, porque até morto ele é melhor do que tu.

Elias – Então pede pra ele atirar nos caras por você da próxima vez.

Betão – Ele descia o dedo mesmo e não ficava fazendo essas continhas mixurucas pra ficar jogando na cara depois. O Vado era homem. Coisa que o franguinho assustado aí nem desconfia o que seja.

Elias – Mas acho que você vai ter que se conformar... Porque sou eu que tô aqui vivinho. Já ele tá lá: morto, mortíssimo.

Betão
– Sabe que às vezes eu acho que Deus não é lá muito inteligente?

Elias – Mas alfabetizado ele é. Escreve tudo certinho.

Betão – Tu é um escroto, mesmo. Um burro muito mais chucro do que eu. Fica puxada a nossa convivência, vou te contar... O Vado era esperto como ele só. Equilibrava. Mas contigo dá até desgosto!

Elias – Ah, vá pra uma mesa branca pra ver se teu macho baixa em alguém, vai!

Betão levanta-se bruscamente, saca a arma e vai para cima de Elias.

Betão – Tá maluco, brother? Que meu macho? Ele era meu amigo, meu parceiro. E vou parar de comparar ele contigo em respeito a ele, ouviu? Só a ele. Tu já é um merda sozinho mesmo, não precisa de ninguém... E bem que merecia um tiro no meio dessa cara. Mas eu é que não vou desperdiçar bala contigo.

Betão se afasta de Elias, guarda a arma na cintura e quando vai se sentar é surpreendido por Elias que saca sua arma, primeiro em ameaça. Depois, rindo, Elias estende a arma a Betão.

Betão – Que isso?

Elias – Pega.

Betão – O quê?

Elias – Pega. Você vai precisar do máximo de ajuda possível até arranjar outro parceiro.

Betão – Do que tu tá falando?

Elias – Eu tô fora. Matador não disputa com morto. Mata e pronto.

Betão – Ah, pára com isso, Elias... Pára de brincadeira.

Elias – Eu tô com cara de quem tá de brincadeira? (ainda estendendo o revólver) Pega logo essa porra!

Betão permanece calado e imóvel.

Elias – O que é que eu tô fazendo? Você não usa nem a sua direito, vai fazer o que com essa aqui?

Betão – Ô, fica aí, Elias... Tu sabe que é brincadeira...

Elias guarda a arma.

Elias – Acho que eu vou vender ela pra descolar uma graninha pra ficar longe daqui.

Betão – E eu vou fazer o quê?

Elias abre a porta.

Elias – Sei lá, pergunta pro Vado.

Elias sai. Black out.
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Exercício realizado em oficina de Jorge Louraço. Aqui uma antiga personagem minha (Betão) conversa com uma nova (Elias) sobre outra também antiga (Vado).

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Refrão do fim

------------------------------------------------- Ilustração de Alberto Vázquez


Só vim porque tive medo. Os objetos antes tão nossos e agora metade, ou quase, meus continuam empilhados. Estão no apartamento que aluguei no prédio-onda. Minha maneira de ficar perto do mar. Distâncias, propriedades e medidas à parte, foram a preguiça e a falta de sentido em organizar exteriores que congelaram essas coisas lá. Só isso. Porque não levei nenhum temor comigo. Talvez todos tenham ficado aqui pregados nos móveis, paredes e até na sua pele. Mas quando você me chamou algum deve ter escapado. Correu pelo fio do telefone, sei lá. Toquei sua campainha pra trazê-lo de volta e trancá-lo contigo.
Dia desses, lambendo as cores tristes da cidade que escorriam pela janela da sala, tive vontade de chover. A cidade é mais assustadora do trigésimo andar e uma necessidade líquida do meio-fio chegou de elevador. Foi o dia em que me dei conta de que era você quem sempre quis morar ali. Eu ainda não tinha desconfundido suas vontades das minhas.
Aqui estão as chaves. Leve a sua metade dos objetos pra se encontrar com a outra. Eu vou em busca do mar. De verdade. Verdade inteira. Nunca me satisfiz com meias. Metades não me apetecem. Talvez meu lugar seja lá. E se não for, ao menos terei mais intimidade com a estrada.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O caminho sem Drummond

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---- tropeça

---- na vergonha

---- da própria solidão
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_______________________________________ Ilustração de Carlos Rocha

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Lé com cré dão empate


__________________________ Ilustração de Martín Romero
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Cristina e Elenice – Ambas têm em torno de quarenta anos.

Numa sala com paredes amarelas há uma mesa grande e três cadeiras, duas delas cheias de livros infantis. Elenice está sentada na terceira cadeira. Cristina bate à porta e entra.


Cristina – Queria falar comigo?

Elenice – Se mandei te chamar.

Cristina – Posso sentar? Vou tirar esses livros daqui.

Elenice – Ah, não! Não vai.

Cristina – O quê?

Elenice – Não vai tirar livro nenhum. Depois do que você fez ainda se acha no direto de sentar?

Cristina – Credo! Você só pode estar brincando... Não me lembro de ter feito nada de tão grave assim.

Elenice – Como não? Você tirou muito mais do que livros. Você... você é uma assassina!

Cristina – Elenice, você está bem?

Elenice
– Eu estou chocada com a sua atitude. Mas são as crianças que não estão nada bem.

Cristina – Meus alunos?

Elenice – Você tem alguma noção de quantos pais me ligaram falando sobre o que você fez ontem?

Cristina – O que eu fiz ontem? A mim ninguém disse nada.

Elenice – Claro. Você demonstrou não ter nenhum tipo de sensibilidade. Por que lhe diriam alguma coisa? E no final das contas a culpa sempre cai nas minhas costas. Sou eu a diretora dessa escola. Ou você se esqueceu disso, minha cara?

Cristina
– Como poderia esquecer? Você é sempre tão... presente. Mas acho que agora deveria se afastar. Antes eu não via isso, não queria misturar as coisas. Mas a partir desse momento vou ter que concordar com a ala que deseja seu afastamento. O que te deu agora, um surto? Me chamando de assassina?

Elenice
– Mas você matou! Matou um segredo.

Cristina – Do que você está falando?

Elenice – Você disse às crianças que eram os pais delas que deixavam os presentes para eles no dia vinte e cinco de dezembro.

Silêncio.

Cristina – Então, você está me acusando de ter matado Papai Noel?

Elenice – Meu Deus, Cristina, eles só têm sete anos! Como você pôde?

Cristina – Ora, não seja cínica! Como você pôde?

Elenice – Eu?

Cristina – A defensora dos bons velhinhos... E dos canalhas velhinhos também, não é?

Elenice – Agora sou eu que não te entendo.

Cristina – Ele era meu pai!

Elenice – Psiu! (fala mais baixo) Ele continua sendo seu pai. E esse assunto continua sendo proibido no ambiente de trabalho. Já falamos sobre isso. Será que você ainda não entendeu?

Cristina
– Quem não entendeu mesmo foi a minha mãe, coitada. E você não foi só pra cama com ele, não... Acabaram indo brincar de casinha os dois. Que graça, comovente! (Pequena pausa) Olha, a questão não é só o que aconteceu, mas como aconteceu. E você vem me falar de sensibilidade?

Elenice – Já te disse que sinto muito. A vida é assim, Cristina.

Cristina – Ah, claro... (Pausa) Acabou a lição? Tenho que voltar pros meus alunos.

Cristina vai saindo.

Elenice – Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Volte aqui, temos que resolver isso.

Cristina – Eu já te disse? Acho que ainda não: Sinto muito.

Cristina abre a porta.

Elenice – E daí, o que eu digo para os pais?

Cristina – Ah, diz que a vida é assim...

Cristina sai e fecha a porta. Elenice senta-se. Black out.

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Da série "Diálogos"

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Maquiagem





Só se enxergava através dos olhos dos outros. Nunca gostou do que viu. Subtraiu realidades. Somou inimigos. Ignorou resultados.

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_______________ Ilustrustração de Alberto Vazquez

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Por cenas de um próximo capítulo... *

--- -------------------------------------------------------- Foto de Anahí Borges


Numa outra noite qualquer, hoje não. Hoje perdi as chaves da porta. Acordei meio passada da validade. Dei de cara com uma niilista radical que insistiu em calçar minhas botas e usar meu batom. Hoje o leitor ótico do som ficou vesgo de tanto repetir a mesma música. Minha garganta tá seca e o ar tá pesado, hoje não. Meu apêndice precisa respirar, dói ficar anestesiada. Aquele abajour que iluminava minha mediocridade quebrou. A unha estragou na lata de cerveja. Minha senha que combina nossas datas de aniversário expirou, hoje não. Hoje roubaram o sonho que eu carregava dentro da bolsa. Enfiaram a mão por baixo da minha saia. Abortaram meu irmão. O jornal ficou todo molhado de chuva. Me disseram tantos nãos. Hoje saio de cena bailando ao som dos saca-rolhas em uso. Just singing in the rain.
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Simulacro santo ou Se não tem tu vai tu mesmo *

Num vagão de metrô.


Grandão: Mas se tem uma coisa que não dá pra discutir é sobre religião.

Pequena: É.

Grandão: É perda de tempo.

Pequena: É.

Grandão: Porque tem que ter fé. Fé é uma coisa que a gente tem que ter.

Pequena: ...

Grandão: Porque Deus é um só. Seja a religião que for. Não importa. É ou não é?

Pequena: Deve ser.

Grandão: Não. Tô te afirmando que é.

Pequena: Se você tá falando.

Grandão: O importante é ter fé. Você tem?

Pequena: Tenho. Tenho que descer. Tchau.

Grandão: Tchau, hein. Vai com Deus.
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Publicado originalmente em 22/04/2008*

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Temos nossa própria falta de tempo e nem somos mais tão jovens assim

Os últimos dias foram meio corridos, nem pude postar nada por aqui. Nem pude também ir ver a querida Neuza Pommer declamar meus poemas lá na Casa das Rosas nesse último domingo, no evento Poetas da Casa. Vou aproveitar essa repescagem do blog e postar um de meus poemas que figuraram por lá:
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PB


Manhã aguda

como nota alta em voz soprano


Tarde desafinada

feito gaita mal tocada



Noite vazia de Walter Hugo Khouri



Madrugada leve

quase espuma cevada


Garrafas desabitadas

me fazem companhia


all the time
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Poema originalmente publicado em maio de 2008 *

sábado, 27 de junho de 2009

'O maravilhoso circo vicioso' no site Dramaturgia Contemporânea

O site --Dramaturgia

-----------------------------Contemporânea -tem como foco a dramaturgia realizada por autores que escrevem textos teatrais na atualidade. É editado pela dramaturga Paula Chagas Autran e pela jornalistaTereza Dantas. Entrou no ar há pouco tempo, mas já tá bem bacana: Entrevistas com Mário Bortolotto, Samir Yazbek, Lirinha e Cacá Araújo já figuram por lá. Tem também a seção "Teses e Ensaios", "História", e "Peças Teatrais", com textos de novos e novíssimos autores. "O maravilhoso circo vicioso", meu primeiro texto teatral, está lá... tão bem acompanhado que nem dá pra contar, melhor você ir lá.
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Pra acessar o site clique aqui
Pra ir direto ao meu texto clique aqui

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Indolor*

__________________________________ Ilustração de Carlos Rocha
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Lucy in the sky with diamonds, os analgésicos começaram sua dança. Espetáculo sem atraso. Se tem uma coisa que valorizo é profissionalismo. Sei que posso contar com eles. Estão sempre comigo, muitos. Todos no bolso perto de onde guardo a arma.Herança. Uso com o respeito que se deve aos objetos de família. Sinto como se fosse uma extensão do meu pai. A mão firme dele a me proteger. Ela nunca me faltou, assim como ele. Quer dizer, não que meu velho estivesse sobrando. Mas afinal, não foi pela própria vontade que ele morreu.Era um homem que nunca sorria. Dizia que doía. Não sei se era algo dentro dele ou se o problema eram os dentes. Meu pai tinha pavor de dentista e colecionava remédios por conta disso. Assim formei meu kit. Ministro balas e saco comprimidos. Uma pra eles, um pra mim, uma pra eles, um pra mim. Um dia leio a bula.
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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Antes da queda*

_______________________________ Ilustração de Carlos Rocha
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Ela já está cansada de não vir. Todos os dias planejo lavar os vidros da janela e mudar a poltrona de lugar. Mas continuo sentado com vista embaçada pra avenida. Viciado em esperar. Como um pescador deitado sobre o dia a observar coloridos carros-peixe boiando.
À mercê das marés cardumes fazem turismo. Releio cartões postais da época em que ela só sabia partir. Eu ainda só sei ficar.
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

O primeiro dia *

__________________________________ Ilustração de Vitor Mizael



Manhã com gosto de dezembro. Acenderia um cigarro se ainda fosse fumante, só pra confundir algum sentido. Lembra da primeira vez que tentei parar? Você me deu uma garrafa daquele vinho chileno como prêmio. Disse que se fosse pra ter um vício, não conhecia nenhum melhor que aquele.
Você tinha razão, eu dobro roupas como quem mata barata a chineladas. Pelo menos ficam todas mansas na mala que sempre reclamei ser pequena e que hoje sorri gigante pra mim. Vai ser mais fácil distrair seus espaços nela. No guarda-roupa ficariam evidentes demais. Deixo os meus como herança.
Prefiro assim. A última visão desse lugar tem de ser sem você. É mais fácil abandonar algo sem sentido. Espero que me perdoe por não poder levar comigo esse cheiro de final.
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Publicado originalmente em 12/08/2008 *

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Preguiça joanina

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Esse blog, extraordinariamente, 'extra-prolongou' feriados e só volta na próxima quinta-feira (18/06).
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___João Gilberto e sua preguiça cósmica

quinta-feira, 4 de junho de 2009

João Pedro

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Dura existência marcada na pedreira. Implode um pouco de si a cada explosão.
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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Balada gaiata


---------céu sem nuvens



-----------------sangue azul



------------------------cheio de coragem blue
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____________________________________ Foto de Fernanda Serra Azul
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Texto originalmente publicado em 25 de julho de 2008, anexo ao post
-------------------------------------------------------"Embalos da madrugada"

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Envelheço em São Paulo


_______________________________Poesia de Drika Nery
____________________________ Ilustração de Alberto Vazquez
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Dou voltas no y a cada 31 de maio.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Catequeses do cárcere

___________________________ Foto de Lina Lopes

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Há de se cultivar a culpa. É preciso lembrar do que se fez. Todo dia. Único antídoto à loucura. Existe a necessidade da crença em ter parte com o demônio pra suportar estar no inferno. É possível rasurar mil calendários sem se acostumar com o cheiro e o gosto daqui. A lei mal existe lá fora. Aqui não aparece nem em dia de visita.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Da arte de semitonar

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------------------------pperdida
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--------------------------no intervalo entre
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--------------------------teoria
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--------------------------prática
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

No meio do vôo me descobri sem asas

_________________________________ Ilustração de Vítor Mizael
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Não foi pai, mãe, irmão ou coisa que o valha. Foi o medo. Me acompanhou todos os dias da minha vida. Oito mil e alguns. Só, é o que a maioria diria. Já, é o que alguns achariam. Eu digo: Justos vinte e dois anos. Hoje. Nenhum dia a menos. Como prêmio ganhei essa lucidez com a qual ninguém devia se encontrar. Nunca. Quanto mais no dia do aniversário. Dia vinte e dois. Completo exatos oito mil e trinta e cinco dias. Nenhum a mais. Deixo como herança meu medo de estimação.
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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Impar par

Personagens:
Débora – Em torno de 35 anos.
João – Em torno de 40 anos.

Cenário - Uma sala com poucos móveis.

Débora entra, vindo da rua. Quando ouve o barulho da porta, João vem para a sala vindo de algum outro cômodo.

João – Débora? Quando eu ouvi o barulho da porta, não consegui acreditar.

Débora – Nem eu acredito.

João – Eu sabia que você ia voltar.

Débora – Sabia? Puxa! Já que você sabe tanto das coisas, me responde: O que é que eu tô fazendo aqui?

João – Se você não sabe, não sou eu quem vai responder. Talvez o seu primeiro impulso é que estivesse certo.

Débora – O que você quer dizer?

João – Eu devo ser uma espécie de vício do qual você precisa se livrar.

Débora – Vício? Olha que anda muito em alta tentar se livrar deles... A moda do politicamente correto já é uma pandemia.

João – É isso... No alvo! Você sempre foi mesmo muito boa em identificar horas oportunas.

Débora – Mas sempre fui meio avessa à moda.

João – Suas botas que o digam.

Débora – O que têm minhas botas?

João – Uns dez... Quinze anos, talvez?

Débora – Não acredito, João!

João – No quê?

Débora – Você nunca reparou que eu sou louca por botas?

João – Justamente! E não as tira há sei lá quantos anos.

Débora – Não são as mesmas... São só parecidas. Você nunca notou que eu tenho várias?

João – Na verdade eu nunca consegui compreender o por quê de serem várias, se são todas iguais.

Débora – Não são iguais. São parecidas!

João – Tá bom, vamos fingir que isso é normal.

Débora – Normal? O que de normal tem nessa casa?

João – Foi por isso que você foi embora? Em busca de normalidade?

Débora – Talvez. Porque normalidade pra nós sempre foi sinônimo de instabilidade.

João – Ah, então é isso? Tava tudo normal demais e aí você se encheu e resolveu me dar um pé na bunda?

Débora – Não suportei a espera.

João – Que espera, Débora? Do que você tá falando?

Débora – Quantas vezes você já desistiu da gente? Quantas vezes não saiu por aquela porta?

João – Algumas. Poucas... Pouquíssimas. Outras quase. A maioria. Mas nunca desisti da gente.

Débora – Mas só agora você descobriu o que é ficar.

Silêncio.

João – Se você quiser eu saio. Eu... eu arranjo algum outro lugar... Afinal, esse apartamento tem muito mais a sua cara do que a minha.

Débora – Mentira.

João
– Não, eu juro... eu saio. É que você não tinha dito nada. Só saiu de repente...

Débora – Tô falando do apartamento. Ele tem tanto a sua cara quanto a minha. Pra ser sincera, te reconheço muito mais aqui do que a mim... Mas eu quero sim.

João – O quê?

Débora
– Que você saia.

Silêncio.

João – Ah, eu... tá. Pode deixar, eu...

Débora
– Que vá ao corredor.

João – Ãh?

Débora – Tá no corredor... Minha mala. Você pode pegar?

João – Sua mala?

Débora – É.

João – No corredor?

Débora – É, no corredor.

João – Claro, claro...

Vai saindo em direção a porta de entrada.

João – Mas por que você não entrou com ela?

Débora – A cara e a coragem foram só o que deu pra carregar, João.

João sai. Débora dá uma boa olhada na sala, senta-se no sofá e tira as botas. BLACK OUT.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Lasanha de peixe saindo do forno

Participo da nova edição da Revista Lasanha com o miniconto "Agricultura Technicolor". Tem mais um monte de autores bacanas por lá. A arte aí em cima é do MaicknucleaR, clica nela e você desembarcará na Lasanha ou no título do miniconto e irá direto pra minha plantação... Mas não deixa de olhar o cardápio que tem uma bela variedade de sabores.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Luto lifting show


_________________________________ Ilustração de Vítor Mizael

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Num velório. Vivian está próxima ao caixão. Lúcia aproxima-se.

Lúcia– Eu realmente sinto muito.

Lúcia abraça Vivian.

Lúcia– Como está abatida! Posso fazer alguma coisa por você?

Vivian– Sim. Descobrir quem foi que fez a maquiagem da Mirian.

Lúcia– O quê?

Vivian– Procuro esse resultado há anos... Se essa pessoa consegue esse efeito num defunto, imagine num vivo!

Lúcia– Vivian, ela era sua irmã.

Vivian– Gêmea. Que isso fique claro!

Lúcia– Então?

Vivian– Temos a mesma idade. Aliás, ela nasceu primeiro. Três minutos, mas primeiro. Agora olhe pra ela: Parece uns dez anos mais jovem...

Lúcia– Não acredito no que estou ouvindo.

Vivian– A Mirian sempre foi tão esperta. Que xeque-mate! Não me conformo...

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_____________________ Da série "Diálogos"

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Check-in or check-out

Personagens:
Débora – Em torno de 35 anos.
João – Em torno de 40 anos.

Cenário - Uma sala com poucos móveis.

Débora está sentada no chão olhando para uma pequena mala vermelha, que está aberta e que contém cartas e fotos. João entra, vindo da rua.


João – Oi! Você tá aí?

Débora – Não... não tô não.

João – É... não deve tá mesmo. Vamos fazer o seguinte: Quando a minha mulher chegar, você me avisa, tá?

João vai saindo em direção a outro cômodo.

Débora – Hei, peraí! Você não vai nem perguntar o que tá acontecendo?

João – Então, isso era um código? Vem cá Débora, você tem que começar a me ensinar esses seus códigos de intenção...

Débora – Ih, pára com isso.

João se aproxima de Débora.

João – O que é que são todas essas coisas aí?

Débora – Eu. Em pedaços.

João
– Oi?

Débora
– É... eu em pedaços. São cartas, fotos, lembranças de amigos...

João – Ah, é aquela sua mala dos esquecimentos?

Débora – Guardados. Quando está aberta são lembranças.

João – É que eu, até hoje, não tinha visto o que ela tem dentro.

Débora – E nunca ficou curioso?

João – Sempre.

Débora – Então você já tentou abrir, não foi?

João – Nunca.

Débora – Vai querer me convencer de que você é tão nobre?

João – Nem um pouco.

Débora – Então, por quê?

João – Por que o quê?

Débora – Nunca nem tentou abrir.

João – Só preciso conhecer as Déboras que você queira me apresentar.

Débora – Achei que tudo em mim te interessasse.

João – Tudo o que você quiser mostrar...

Débora – Dizem que quando a gente tá apaixonado, só enxerga o que quer no outro. Então, não se trata do que eu quero mostrar... Mas sim, do que você quer ver.

João
– E você, quer ver o quê?

Débora – Eu?

João – É... Aí na sua ‘maleta do esquecimento’.

Débora – Coragem.

João – Pra quê?

Débora – Ora, que pergunta! O primeiro produto da cesta básica do ser humano é coragem. Sem ela não se prepara nenhum prato.

João – Acontece que esse produto nunca te faltou. Não que eu tivesse notícia.

Débora – Mas agora, nesse exato momento, o que não falta é medo.

João – Medo de quê?

Débora – Da resposta.

João – Que resposta?

Silêncio.

João – Pra qual pergunta?

Silêncio.

João – Hein, Débora? Hein?

Débora – João, eu acho que eu tô grávida.

João – Você acha o quê?

Débora – Você ouviu.

João senta-se no sofá.

João – Não, peraí Débora... É muito sério o que você falou... Quer dizer: O que eu acho que você falou. E esse é o tipo de coisa que não dá pra achar que se ouviu. Tem que se ter certeza! Porque é o...

Débora (interrompendo) Eu disse que eu posso estar grávida!

João – Pode?

Débora – Posso.

João – Ah, que bom! Eu também posso... Quer dizer: ter filhos... Eu também posso. Então um dia a gente pode... Mas peraí... Você não quer ter filhos... Nunca quis. Mudo de idéia?

Débora – Não.

João – Então, não tô te entendendo...

Débora
– A questão não é sobre fertilidade e também não tem nada a ver com idéias. É prática! Na prática, eu acho que tô grávida.

João – Acha? Não tem certeza?

Débora – Ainda não fiz o teste.

João
– Por quê?

Débora – Medo da resposta.

João
– Mas só a partir da resposta vamos poder fazer algo a respeito. E se a resposta for negativa, ãh? A gente poder estar se preocupando atoa...

Débora – Meu medo é da resposta. Positiva ou negativa... Medo de estar grávida e medo de não estar grávida.

João – De não estar?

Débora
– É. Eu nunca vou planejar ter um filho. Se não for o acaso, não vai ser.

João – Mas você nunca quis que fosse.

Débora – Esse talvez seja um futuro arrependimento pra eu guardar na mala.

João – Não ter filhos?

Débora – Ou tê-los...

João – Quem vai saber? Esse é só mais um dos riscos que você vai ter que correr.

Débora – Tenho medo que ela fique muito pesada. A mala.

João – Põe rodinhas nela.

Débora – O que você acha?

João – Não é o acaso o seu Deus? Vamos confiar nele.

João se levanta e caminha até a porta de saída.

Débora – Aonde você vai?

João – Vou a farmácia. Meu demônio é a ignorância...

Débora – Em alguns casos o conhecimento pode ser muito mais infernal.

João – Prefere ficar agarrada a dúvida, então?

Débora – Em todos os casos ela é a pior companheira... Eu vou contigo.


Débora levanta-se e caminha até João. Ele abre a porta e os dois saem. BLACK OUT.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Atravessado

_________________________________ Ilustração de Alberto Vázquez

Perco o passo na corrida atrás das horas. O tempo não decide qual ritmo toca. Vai do blues ao samba enredo com a desenvoltura de uma puta.
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Monólogo para um homem só

______________---------------- Ilustração de Alberto Vázquez

As luzes acendem. Da platéia um único aplauso. Arte-maria-sem-vergonha faz do teatro quintal.

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ecos

_______________________________ Ilustração de Lola Lorente
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Com a batida da porta o som das minhas irmãs se amplificava. Elas brincavam entre céu e inferno no quintal. Você começava o ritual pelo trinco. Guardava as chaves no bolso da camisa e estava pronto. Meu corpo já tinha decorado aqueles movimentos. Não precisava mais da minha ajuda. Mas você nunca foi capaz de enxergar que eu não estava lá. Mantinha sempre o olhar longe do meu. Cada coisa em seu lugar. Culpa no ponto cego. Prazer no centro da retina.
Desde a primeira tarde, pouco antes de a mãe voltar, esses sons ficaram gravados em mim. Me acompanharam até aqui e continuam a se avolumar. As chaves, os risos, a porta batendo. Se misturam aos carros, as buzinas, aos gritos de hoje. Quando me mudei pra cá, achei que em um andar tão alto, com janelas anti-ruído e vizinhos gagá, eles iriam parar. O endereço na correspondência é outro, mas toda vez que vejo meu rosto refletido no vidro dessas janelas, percebo que não estou aqui. Chegou a noite e eu não voltei. Ainda jogo amarelinha com as meninas no quintal.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Sinfonia do arrabalde

________________________________ Ilustração de Martín Romero

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Tentou o livro. DVD, HQ, série americana. Apelou até pra novela. Difícil fugir de qualquer realidade que contenha um vizinho ouvindo repetidas vezes a mesma música. Iria ao cinema se tivesse dinheiro. Ou ao teatro, quem sabe? E até pagaria uma fonoaudióloga pra cantora ídolo do compadre mau gosto.

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quinta-feira, 16 de abril de 2009

* O singular dia do peixe *


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---------------------- Singular


------------------- Sou muitas

------------------- tantas outras

------------------- várias pessoas

------------------- que num compasso estereofônico

------------------- se multiplicam dando voltas em si


---------------------- Sendo assim

---------------------- quando me declaro

---------------------- rainha de mim

---------------------- sinto vertigem

---------------------- na custosa tarefa de achar

---------------------- que Pessoa coroar


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Hoje esse blog completa 1 ano no ar!
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Um sol cravado no céu da boca

____ Antônio Furtado e Rogério Pércore em "O maravilhoso circo vicioso" +
_________________________________ Foto de Gabriel Mestrochirico



Mastigo vontade de chorar ao amanhecer. Hora patética. Medusa de Cronos. Musa da minha quase rendição. Transforma em pedra tudo que a vê. Evitei nosso encontro o quanto pude. Agora, o sono é quem evita encontros comigo. Mesmo que casuais. Dia desses me perguntaram como eu conseguia dormir fazendo o que faço. Essas perguntas clichê desses caras que merecem, no mínimo, uma bala. Mas de mim nada. Nem bala, nem resposta. Sou um profissional. Meu trabalho não me incomoda. Porque mortos não têm memória. Não importa se a última coisa que viram foi meu rosto. Esse é um segredo que fica entre mim e eles. Únicas pessoas em quem confio de fato. E o que são as pessoas em quem você confia senão seus amigos? Não durmo mais porque meus demônios não deixam. Culpa deles. Só deles. E demônios, todos têm guardados. Domesticados ou não. Eu bebo uísque com os meus. Brindo aos amigos.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Teoria do asfalto / SP

____________________________________ Ilustração de Diocir Júnior----------------
na cidade

dos

rios mortos

a única certeza

é a

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solidão

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Desafinado

------------------------------------- "O Pátio" (1959) curta de Glauber Rocha

Os ácaros entraram na justiça por uso capião das dependências do meu apartamento. Minha coleção de garrafas vazias quer cometer suicídio. E do alto da estante os livros fazem coro com Glauber Rocha: “A arte é tão difícil quanto o amor, Pedro”.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Sinais

Black out. Som de freada brusca. Luz acende. Vemos Roberto e Gina sentados dentro de um carro. Um ao lado do outro, ele no banco do motorista, ela no do passageiro. Ela tentando se recuperar da quase batida. Ele com visível mau humor.

Gina – Cuidado! Quer me matar?

Roberto – Eu? Quem quer fazer isso é esse imbecil aí na frente.

Gina – Do que você tá falando? O farol fechou.

Roberto – Olha a hora, Gina... Olha a hora.

Gina – Olha o farol.

Roberto olha para Gina com desdém e volta-se para frente. Ela também. Os dois ficam um tempo assim.

Roberto – Como é que o cara vai parar no sinal a essa hora? Que idiota!

Silêncio. Gina pega uma bala, oferece a Roberto. Ele balança a cabeça negativamente. Ela põe a bala na boca.

Roberto – Eu não acredito nisso... Ô, cara, se toca! Você tá bancando o idiota... Otário! Vai tomar no meio do seu...

Gina(interrompendo Roberto) Escuta, você tá falando isso pra quem? Pra ele? Porque eu acho que não tá funcionando. Não sei se você notou, mas os vidros estão fechados. Os nossos e os dele. Portanto, a única que está ouvindo aqui sou eu!

Roberto – Eu sei. Só tô desabafando, Gina.

Ouve-se uma buzina.

Gina – Você desabafa no trânsito que é uma beleza, né? Tudo com o vidro fechado. Tudo na minha orelha... E você acha com sinceridade que o otário é sempre o motorista ao lado?

Roberto vira-se para Gina indignado. Ouve-se mais uma buzina.

Roberto – Sou eu que devo ser o otário mesmo, né? Pelo menos é isso que você e aquela sua amiguinha devem achar.

As buzinas vão aumentando progressivamente.
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Gina – O farol abriu, Roberto.

Roberto – Vocês duas tão de caso!

Gina – Roberto, o farol.

Roberto – Meu Deus, de caso!

Gina – Eu acho melhor...

Roberto – Você não acha nada! E eu não acho isso excitante, não. É chifre! Do mesmo jeito.

Gina – Roberto, pelo amor de Deus, acelera! Daqui a pouco o sinal vai... fechou.

Roberto – Dane-se! Não ficamos esperando aquele otário sair da frente? Agora é a vez do otário aqui. Os próximos que aguardem... O que me interessa é saber daquela...

O buzinaço já cobre qualquer fala deles. Black out.
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----------------- Esboço de cena em desenvolvimento.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Onde fica a bilheteria?

_______________________________________ Foto de Lina Lopes
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Queria que ela não tivesse visto. Irônico como algo que nada tem a ver conosco pode mudar nossa vida. Deveria existir alguma lei contra o acaso. Algo que fizesse a vida funcionar feito filme americano. Você só sai da sala, criança-feliz com gosto de dever cumprido e pipoca, depois de ter montado o mundo-quebra-cabeça-gigante. Ela tinha uma pele tão branca, um sorriso tão largo. Pra mim, ignorância é sinônimo de segurança. Se aqueles olhos tão castanhos e comuns não tivessem me olhado ali, daquele jeito, fazendo aquilo, não teriam se apagado.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Minhas mulheres de Athenas

No próximo sábado, 28 de março a partir das 17hs vai acontecer o Festival Rato de Teatro. Vai ser uma espécie de sarau teatral na pequena e aconchegante Rato de Livraria.

Atenção: vale dizer que apesar do formato pocket acontecerão encenações, não leituras.

O Centro de Dramaturgia Contemporânea, do qual faço parte, vai estar lá com duas cenas:

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A greve do sexo de Aristófanes

adaptação e direção: Drika Nery

com Silvia Faro e Neuza Pommer

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"Sobre a vida, a morte e alguns trocados"
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texto e direção: Luis Eduardo
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com Dilson Rufino e Silvia Faro
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Serão três grupos a participar do evento que trará textos clássicos e contemporâneos.

Além de nós o festival terá:

Projeto ItinerARTE com
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"Moça do Tempo" e "Poemofobia", de Leco Peres
“Comédia dos erros”, de Shakespeare
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Grupo Parampará com
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“O doente imaginário”, de Moliére
"Meu nome é Ligia Helena" e "Poemas", de Marcela Puppio

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Dia 28 de março de 2009 a partir das 17hs
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RATO DE LIVRARIA
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Rua Paraíso, 790 – metrô Paraíso
fone 3569.7882
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www.ratodelivrariaonline.blogspot.com
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ENTRADA FRANCA

quinta-feira, 26 de março de 2009

O novo calendário de Amélia

--------Para Neuza Pommer e Silvia Faro
- minhas heroínas gregas contemporâneas.
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_____________________________ Ilustração de Vitor Mizael

segunda-feira, 23 de março de 2009

O assassinato das polaróides

___________________________________ Foto de Anahí Borges


Lealdade é o mico-leão-dourado pilotando o bug-do-milênio. Ele usa máscara exclusiva da nova coleção primavera-verão, mas suas madeixas torram ao sol. Água oxigenada saiu de moda e oxigênio virou artigo de luxo. A supremacia das telas frias prosperou. O mico que não sabe o que é circo dá voltas no circuito fechado dos zeros da década do conjunto vazio.
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quinta-feira, 19 de março de 2009

Need to upgrade

----------------------------------------------- Ilustração de João Pinheiro
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------pisotear ponteiros


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plano patético

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--------------- de deter

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----------------------- o tempo
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------o mundo é digital

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ignora----------------
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-------minha lógica
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--------analógica


________________________________ para J.R.Lima

segunda-feira, 16 de março de 2009

Lúcia vai à luta

_____________________________________ Foto de Lina Lopes

Acidente de moto. Dois AVCs. Chega de quase perder, agora deve ser hora de ganhar a vida. Só não contava com o mata-mata do mercado de trabalho. Depois da intoxicação por currículos foi chamada pra atuar na área de assalto a carro-forte.

O peixe foi parar na Aliás

Alguns textos meus foram publicados na primeira ediçao de 2009 da revista eletrônica carioca "Aliás", que tá bem bacana... Dá um pulo lá!


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Tô na seção de poemas, mas têm lá três minicontos e uma minicena também.